A influência do cinema brasileiro no mundo - Parte 1
"Anakin é o caralho... meu nome é Darth Vader, porra!"
29.7.05 Ozzie diz:
"A História do Mundo"
A história do mundo é construida por despreparados e acidentes de percurso. Não acredita? Então veja só essa: A Telefónica - a operadora telefônica do Estado de SP, controlada por um grupo espanhol sem noção - produziu 200 mil (veja bem, 200 mil!) cartões pré-pagos de uma série entitulada "A História do Mundo". Tava tudo indo bem, quando depois de produzir e distribuir todo lote se deram conta de que havia um cartão na série com a imagem de Saddam Hussein sendo preso por soldados estadunidenses. Claro, levaram um processo na cabeça, tão ouvindo mil reclamações (de todos os lados) e se viram forçados a retirar tudo do mercado depois dessa incrível jogada de marketing que aranhou ainda mais a imagem da empresa.
Taí um cartão telefônico que eu queria na minha carteira! Vai valer uma grana no eBay!!! (gargalhadas insanas)
Vai uma recomendação cinematrográfica. O último filme da Asia Argento é imperdível. Chama-se "The Heart Is Deceitful Above All Things". É um filme punk em qualquer acepção possível da palavra. Não é um passeio no parque, tá mais para um soco no estômago. Portanto, é preciso ir com espírito blindado.
O filme é baseado em contos autobiográficos de um autor chamado J.T. Leroy. Durante anos fiquei chocado com o relato da vida de J. G. Ballard em "O Império do Sol", até que vi este filme hoje. O Leroy comeu o pão que o diabo amassou. O sujeito foi criado por uma mãe drogada, abusado sexualmente, se tornou um viciado, passou fome e terminou psicologicamente traumatizado. Esta tudo condensado no longa. São duas horas desconfortáveis no cinema.
Além do incomodo do filme parar por erro de leitura do equipamento nas cenas mais barra-pesadas, como a de abuso infantil que foi exibida várias vezes seguidas, o autor esteva na sala para um debate posterior. Eu já havia lido que o cara era andrógino, mas o sujeito parecia uma Marlene Dietrich com óculos escuros e chápeu!!! É incrível a falta de bom senso de alguns trogloditas que mesmo depois de ver o filme, sabendo que se tratava de reminiscências do autor, tem a cara-de-pau de perguntar ao mesmo porque ele falava com voz fina e se parecia uma mulher. Surreal.
De qualquer forma, procurem assistir ao filme quando a oportunidade surgir. O filme em si não é gráfico, até para preservar as crianças a Asia Argento filmou muita coisa de maneira que apenas após a montagem final a audiência pudesse compreender o que se passava. É um filme cru, intenso e de uma coragem incrível. Excelentes atuações, poderia apenas ter um pouco menos de movimentos bruscos de câmera. A estética moderna de hoje me incomoda. Mas ainda assim, perfeito. A Asia prova que tem mais sangue fluindo nas veias que o pai. Este filme é por sua natureza, abordagem e tema muito mais impressionante que a obra do velho Dario Argento.