Isto sim é cinema de verdade, o resto é conversa fiada!
Se ainda houver alguma justiça neste mundo, Richard Linklater, Kim Krizan, Julie Delpy e Ethan Hawke dividem o próximo Oscar de Melhor Roteiro Original deste ano. "Antes do Pôr-do-Sol", filme que o Rafael já recomendava aqui faz um mês, é uma pequena obra-prima. Um roteiro engenhoso, uma excelente química no casal de protagonistas e um plano de filmagem astuto que resultam numa verdadeira lição de cinema.
Quem curtiu "Embriagado de Amor" mas ficou com aquela sensação de que poderia ser melhor (maldito Adam Sandler!), precisa ver este filme. Se achou "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças" exageradamente surrealista e científico, definitivamente precisa dar uma chance a "Antes do Pôr-do-Sol". Charlie Kauffman vai ter que esperar mais alguns anos, essa turma conseguiu uma proeza muito maior do que reclicar a fórmula de Woody Allen em começo de carreira. É um filme sem nenhum efeito, sem nenhuma firula e onde basicamente o casal se senta diante da câmera para conversar sobre suas vidas. E não tive nenhuma vontade de cortar os pulsos na poltrona do cinema durante toda projeção!!! (gargalhadas insanas)
Bem, este é aquele momento em que ativo o módulo estraga prazeres e me detenho em detalhes do filmes. Se você ainda não assistiu, faça um favor à você mesmo e corra para os cinemas que ainda o exibem. Já se passou um mês e tive sorte de conferir ele na telona. Na verdade, estava indo para uma sessão de "Zatôichi", do mestre Takeshi Kitano (o policial de "Hana-bi", ou como Tiago gosta de definir "o Didi Mocó do Japão"), quando perdi a hora e meio que desapontado resolvi ver esta comédia sem nenhum entusiasmo. Já tinha visto o primeiro, "Antes do Amanhecer", gostado, mas daí a ver a continuação me parecia demais. Vivendo e aprendendo. Este aqui é infinitamente superior e dispensa o espectador de ter assistido o anterior para aproveitar.
Primeiro, o filme apresenta as personagens de uma forma primorosa. O Linklater se amarra em recursos de metalinguagem e ao colocar Jesse (Ethan Hawke) como um escritor divulgando seu livro em Paris, justifica não apenas o reencontro dele com Celine (Julie Delpy) como também aproveita para relembrar o filme anterior já que o romance de Jesse se baseia nas experiências do casal no primeiro filme. Dali vai plantando nos diálogos as sementes que levam aos pontos-de-virada do filme.
E isso é magistral. O leigo que assistir ao filme sairá com a sensação de que o filme não segue uma "fórmula hollywoodiana". Que nada! Malandros, os roteiristas cobriram bem seus rastros (tirando um ou outro diálogo em que se nota a mão pesada do Linklater e sua veia filosófica) e o filme transcorre com um realismo e uma "espontaneidade" admirável. O incauto pode sair achando que nada acontece e que ele apenas testemunhou um bate-papo muito legal e só.
Para quem tá boiando nisto, um resumo rápido. Um roteiro costuma seguir uma estrutura clássica de 3 atos, onde o que divide o ato 1 (apresentação) do ato 2 (desenvolvimento ou conflito) e o 2 do 3 ato (conclusão) são situações dramáticas que impulsionam a história para frente e alteram as motivações de cada personagem. Tipo, "Vejo gente morta" e "Você é um deles!". Aparentemente, "Antes do Pôr-do-Sol" é um daqueles filmes alternativos que não seguem estrutura alguma, só uma trama linear sem nenhum recurso mirabolante. E aí está a genialidade da estrutura que montaram.
O pretexto para reunir as personagens não apenas é excelente, abrindo várias oportunidades interessantes, como permite que desencadeie os pontos-de-virada com naturalidade. O primeiro ponto é quando surge a questão óbvia para quem viu o primeiro filme, "Você voltou a Viena para me encontrar como havíamos combinado?". Se na apresentação se recordava o encontro do casal, o conflito natural é aquela dúvida que ficou na mente de todos os espectadores: o que aconteceu neste intervalo de 9 anos? Eles realmente estavam apaixonados e não conseguiram esquecer um ao outro? E esse conflito é magistralmente trabalhado com questionamentos sobre a natureza do amor e a ingenuidade da juventude. As personagens ficam se sondando, tentando apurar o que o outro realmente sente com relação aquele dia em que estiveram juntos, o que ainda se lembram e o que sentem.
Isso leva ao segundo ponto-de-virada, em que cada um meio que já formou uma percepção sobre o que espera do outro. Falta tomar uma atitude diante disto. E ele acontece meio que pressionado pelo tempo, afinal Jesse precisa voltar aos EUA e como tudo ocorre em tempo real coincide perfeitamente com a divisão de 3 atos! Enquanto pega uma carona, Celine confessa como se sente miserável agora que recordou o que deixou para trás e como aquele dia em que ficaram juntos mudou sua vida. Ambos deixam cair a fachada de "minha vida tem sido ótima, estou feliz e me sinto realizado" para "eu era feliz ao seu lado e hoje tenho certeza que estraguei tudo". Eles abrem seus corações e novamente somos brindados com um final em aberto que deixará a imaginação de cínicos e românticos trabalhando por anos. Pelo menos até a próxima continuação...
O filme funcionou incrivelmente bem para mim. Não apenas no aspecto técnico e estético, como sentimental. Em vários momentos me senti particularmente envolvido, era como recordar relacionamentos anteriores e situações pessoais que estranhamente se parecem mais universais agora (não, nunca estive em um mosteiro e jamais recebi propostas daquela natureza. E recusaria! - risos). As discussões são basicamente contemporâneas, certamente algum de nós já tocou naqueles assuntos. São inevitáveis: Há vida depois da morte? Existe mesmo o amor? Será que o tempo cura todas as feridas? Você também se sente vazio, como se sua vida não tivesse propósito? O aquecimento global vai destruir nossa civilização? Viveria melhor sem uma TV? (bom, Angel e Buffy já acabaram mesmo)
E como produto "comédia-romântica", "Antes do Pôr-do-Sol" cumpre todas as expectativas do gênero ainda que subvertendo tudo em uma camada de leitura mais profunda. Ele é não apenas uma resposta ao primeiro filme, como também questiona todo o conceito de romantismo já que a todo momento as personagens insistem em como suas experiências anteriores foram alteradas por suas próprias percepções e de como aquele episódio influenciou negativamente seus futuros relacionamentos já que ele se tornou uma espécie de referencial impossível de atingir. "Encontrei o homem (a mulher) perfeito (a) e tive apenas um dia de felicidade". É exatamente esta a ilusão que todos estes filmes oferecem: "Um dia você encontrará sua alma gêmea. E veja, é assim que um relacionamento perfeito acontece!" O problema, como Celine mesmo define, é que foi apenas um relacionamento temporário. Depois de terminado, quem tentar pautar o sucesso ou o fracasso de seus relacionamentos com base no que assistiu está se iludindo.
Analisando dessa maneira, o filme pode parecer cansativo e sério. Engano. Há várias cenas hilariantes e algumas insinuações que podem até passar desapercebidas, como a forma que encontraram para tornar a personagem Celine atraente ao público estadunidense. Ela é uma francesa neurótica, como que uma contra-parte estrangeira de Phoebe Buffay (risos). E veja bem, não digo isto como nenhum demérito - é até mais uma prova da genialidade dos roteiristas. E claro, os mais cínicos (como eu) podem reduzir o filme inteiro em apenas uma coisa: Preliminares!
Assim como "Antes do Amanhecer", este é um filme que vale um livro de auto-ajuda ou horas de terapia (gargalhadas insanas)
16.12.04 Ozzie diz:
RADIO GA GA - ELECTRICSIX
12.12.04 Ozzie diz:
PQP!!!
8.12.04 Ozzie diz:
Parece até coisa do João Kleber...
Criação de programa de auxílio para "cura de homossexuais" será votado hoje na Assembléia do Rio
Roberta Novis - Folha de SP
Mais de 40 entidades ligadas ao movimento gay, deputados e personalidades participaram ontem de manifestação em frente à Assembléia Legislativa do Rio, no centro, contra a votação hoje de projeto de lei que prevê a criação de programa de auxílio às pessoas que optarem pela mudança voluntária da homossexualidade para a heterossexualidade.
Tinha que ser no Rio...
De autoria do deputado estadual Édino Fonseca (PSC), o projeto já passou por três comissões e será apreciado em primeira votação às 16h30 no plenário da Assembléia Legislativa do Rio. Se aprovado em segunda votação, vai à sanção da governadora Rosinha Matheus (PMDB).
Visto que se chama Rosinha, devia ser simpatizante. Mas levando-se em conta seu histórico, fico supreso dela não ter redigido sozinha a proposta
Representantes do Grupo Arco-Íris de Conscientização Homossexual do Rio, que organizou a manifestação ontem, prometem fazer novo protesto às 14h30.
Édino Fonseca se disse surpreso. "Queria promover audiências públicas antes de tentar aprová-lo", afirmou o autor do projeto.
Como assim? Ele não consultou ninguém antes de propor essa boçalidade!?! Nem mesmo o zelador do Assembléia? Seu personal trainner? Seu Bispo? Os vizinhos?
Segundo ele, seu projeto está sendo usado como "boi de piranha" pelo presidente da Casa, Jorge Picciani. "Defendi que precisávamos amadurecer a idéia, mas ele disse: "Não. A Casa está apanhando muito da imprensa e preciso dar uma satisfação'", declarou. Picciani não foi encontrado.
Fonseca afirmou, no entanto, não entender o porquê do protesto. "Não entendo a manifestação. Meu projeto é para homossexuais infelizes e não satisfeitos. Quem está feliz segue com sua vida."
(sarcasmo) Ah tá, então tudo bem... (/sarcasmo)
Entre mais de 200 manifestantes estava Lucinha Araújo, mãe de Cazuza. "Isso é coisa de quem não tem o que fazer", disse ela. Para o presidente do Grupo Arco-Íris, Cláudio Nascimento, o projeto é "totalitário". "Começa hoje com os homossexuais, e amanhã?"
Provavelmente: nós - os gordos, cínicos e nerds!
6.12.04 Ozzie diz:
Do pó vieste...
5.12.04 Ozzie diz:
SOCORRO!
4.12.04 Ozzie diz:
O segredo do Morcego
Em uma ação promocional sem paralelo, a Pfizer e o grupo Warner se uniram para relançar dois de seus maiores produtos numa estratégia de marketing casada em escala global.
Já é possível conferir o cartaz promocional do filme Batma Begins, onde podemos observar - claramente - referências ao revigorante sexual que revolucionou o mundo.
Se cuida Robin!
1.12.04 Ozzie diz:
Carlos havia ensaiado por meses seu número musical. Era uma peça particularmente complexa, cujo próprio Carlos havia composto para sua apresentação, envolvendo um elaborado solo de piano.
Aos poucos se aproximava a hora de subir ao palco. A todo momento o aflito jovem se aproxima das cortinas que separavam-o do público. Desta vez, já acostumado com a meia-luz que imperava no Teatro, conseguiu vê-la.
Ela devia ter acabado de chegar e ajeitava-se calmamente em seu lugar, logo na terceira fila.
Com seu olha sereno, ela examinava o ambiente à sua volta e tentava inutilmente ler a programação impressa no folheto daquela noite.
Chegara a hora. Carlos olhou-se no espelho, ajeitou alguns fios de cabelo rebeldes em sua nuca e iniciou seu percurso até o piano iluminado no centro do palco.
Sua mãe, sozinha no Teatro, sorria feliz pelo rapaz.